Investigação

VÍDEO: câmeras flagram carroceiro sendo espancado por policiais militares em Santa Maria

Pâmela Rubin Matge

Uma ocorrência policial envolvendo um carroceiro de 46 anos detido pela Brigada Militar (BM) por conduzir uma carroça equipada com giroflex e aparelho de som, no dia 2 de julho, teve uma reviravolta depois que veio à tona um vídeo gravado por câmeras de segurança de uma empresa próxima ao local do fato, a Rua João Machado Soares, em Camobi, região leste de Santa Maria.

As imagens, cedidas pela empresa, mostram o carroceiro sendo agredido por policiais militares (PMs), situação bem diferente da relatada na ocorrência registrada pelos policiais. 

O VÍDEO:


AS OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO O FATO

A primeira ocorrência sobre esse caso foi feita em 2 de julho pelos policiais militares, que registraram o fato como lesão corporal, desobediência e resistência. Na ocorrência, é relatado que o  carroceiro "resistiu, sendo necessário o uso moderado da força para algemação".  

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No dia 7 de julho, um segundo registro foi feito pelo carroceiro, que relatava que foi agredido pelos policiais. O carroceiro relata que um policial militar parou e subiu parado na carroça, desferindo golpes com um cassetete. O cavalo teria se assustado e disparado. Logo em seguida, uma viatura perseguiu a carroça, que parou. O mesmo policial passou a agredir o carroceiro de novo, dando uma gravata e derrubando-o no chão.

O carroceiro, então, foi algemado. Além de ferimentos pelo corpo, causados por chutes e socos no rosto, o condutor acabou perdendo dois dentes.

Em 12 de julho, foi protocolado um  requerimento no Ministério Público do Estado (MPE) em que o carroceiro solicita a apuração da conduta dos policiais militares. Na última quarta-feira, um termo de declaração, junto de fotos e imagens do vídeo também foram entregues ao 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), do qual os dois PMs fazem parte.

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O QUE DIZ O ADVOGADO DO CARROCEIRO
O advogado do carroceiro, Raphael Urbanetto Peres, pretende ajuizar ação indenizatória contra o Estado, além de acompanhar a tramitação dos processos disciplinares e criminais pela conduta dos policiais militares: 

– Analisando as imagens, verifica-se que ele foi covardemente agredido, mesmo após estar no chão algemado, situação que pode caracterizar o crime de tortura. Eis que houve submissão de pessoa presa a sofrimento físico e mental. Não houve resistência à prisão como alegam os policiais militares e nada justifica a violência empregada na abordagem.

O QUE DIZ O COMANDO DA BRIGADA MILITAR

O comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), tenente-coronel Erivelto Hernandes, confirmou que recebeu a denúncia do carroceiro na última quarta-feira, dia em que o carroceiro foi ouvido junto do advogado.

– Foi determinado um procedimento padrão: a abertura do inquérito policial militar (IPM). Pelas imagens, foram identificados os dois policiais que saíram da parte operacional e foram colocados na parte administrativa (da BM). O prazo para o encerramento do inquérito é de 40 dias, mas queremos terminar antes – informou Hernandes.

Segundo o comandante, um dos policiais envolvidos na agressão do carroceiro já respondeu por um fato semelhante há cerca de cinco anos. Hernandes não soube informar o desfecho do caso junto à Justiça Militar. 

Quanto às imagens, o tenente-coronel afirma que são apenas parte do contexto e é preciso esperar o fim do inquérito para se pronunciar.


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